A CID é a classificação da Organização Mundial da Saúde que dá um código a cada diagnóstico. No Brasil, a CID-10 segue em uso até 2026, e a CID-11 tem uso pleno previsto a partir de janeiro de 2027. Abaixo estão os códigos dos principais diagnósticos em saúde mental da mulher nas duas versões, com o que muda e o que isso significa na prática.
Última atualização: outubro de 2026.
O que é a CID e por que existem duas versões?
A Classificação Internacional de Doenças (CID) é o padrão mundial usado para registrar diagnósticos em prontuários, atestados, estatísticas de saúde e sistemas de informação. Cada condição recebe um código alfanumérico, o que permite que um diagnóstico feito em Uberlândia seja entendido da mesma forma em qualquer lugar do mundo.
A CID-10 foi aprovada pela OMS no início da década de 1990 e ainda é a versão usada nos sistemas brasileiros. A CID-11, revisão mais recente, entrou em vigor internacionalmente em 1º de janeiro de 2022. Cada país define seu próprio cronograma de transição. No Brasil, o Ministério da Saúde manteve a CID-10 em 2025 e 2026 e prevê o início do uso pleno da CID-11 em janeiro de 2027, de forma gradual.
Na prática, durante alguns anos a mesma condição poderá aparecer com códigos diferentes, dependendo do documento e da data em que foi emitido.
Quais são os códigos na CID-10 e na CID-11?
| Diagnóstico | CID-10 (versão usada no Brasil) | CID-11 |
|---|---|---|
| TDAH | F90.0 (Distúrbios da atividade e da atenção) | 6A05 (com subtipos: 6A05.0 desatento, 6A05.1 hiperativo-impulsivo, 6A05.2 combinado) |
| Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) | F42 | 6B20 |
| Transtorno do espectro autista | F84.0 (autismo infantil), F84.5 (síndrome de Asperger) | 6A02 |
| TPM e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) | N94.3 (síndrome de tensão pré-menstrual) | GA34.41 (transtorno disfórico pré-menstrual) |
| Depressão pós-parto | F53.0 (transtornos leves associados ao puerpério); com frequência também F32 ou F33 | 6E20 (associado à gravidez ou ao puerpério, sem sintomas psicóticos) |
| Psicose puerperal | F53.1 (transtornos graves associados ao puerpério) | 6E21 (associado à gravidez ou ao puerpério, com sintomas psicóticos) |
| Ansiedade generalizada | F41.1 | 6B00 |
| Transtorno de pânico | F41.0 | 6B01 |
| Depressão | F32 (episódio depressivo), F33 (transtorno depressivo recorrente) | 6A70 (episódio único), 6A71 (recorrente) |
Para os demais códigos de saúde mental (capítulo F da CID-10, de F00 a F99), consulte o Diretório de CIDs em Psiquiatria.
O código final de cada caso depende da avaliação clínica. Um mesmo diagnóstico pode receber subcódigos diferentes conforme gravidade, apresentação ou fase da vida.
O que muda da CID-10 para a CID-11 na saúde mental da mulher?
A CID-11 reorganiza vários diagnósticos de forma mais próxima da prática clínica atual. As mudanças mais relevantes para a saúde mental da mulher são:
- TDPM passa a ter código próprio. Na CID-10 não existe um código específico para o transtorno disfórico pré-menstrual; usa-se N94.3, que descreve a síndrome de tensão pré-menstrual de forma genérica. A CID-11 cria o GA34.41, com critérios que incluem o registro prospectivo dos sintomas ao longo de pelo menos dois ciclos.
- Autismo vira um espectro único. Categorias separadas da CID-10, como autismo infantil e síndrome de Asperger, são reunidas no transtorno do espectro autista (6A02), com especificadores de linguagem e desenvolvimento intelectual.
- TDAH ganha subtipos por apresentação. O código 6A05 permite registrar se a apresentação é predominantemente desatenta, hiperativa-impulsiva ou combinada. Isso tem peso especial em mulheres, nas quais a forma desatenta é mais frequente.
- TOC ganha grupo próprio. Na CID-10 ele fica entre os transtornos “neuróticos, relacionados ao estresse e somatoformes”. Na CID-11 passa a encabeçar o grupo dos transtornos obsessivo-compulsivos ou relacionados.
- Puerpério com e sem sintomas psicóticos. Os códigos 6E20 e 6E21 separam com clareza os quadros associados à gravidez e ao pós-parto sem e com sintomas psicóticos. É uma distinção que tem implicação direta na urgência do cuidado.
Por que o código que encontrei na internet é diferente?
Muitos sites mostram a versão americana da CID-10, chamada ICD-10-CM, usada nos Estados Unidos para faturamento. Ela tem códigos mais longos e algumas categorias que não existem na CID-10 da OMS adotada no Brasil.
Um exemplo: a versão americana tem um código próprio para o transtorno disfórico pré-menstrual (F32.81), que não existe na CID-10 brasileira. Para documentos emitidos no Brasil, a referência é a CID-10 publicada pelo DATASUS e, a partir da transição, a CID-11 da OMS.
Recebi um código no atestado ou no laudo. O que isso significa?
O código registra um diagnóstico feito em avaliação clínica. Ele não define quem você é, não indica gravidade sozinho e não determina o tratamento. A mesma condição pode ter evolução e resposta ao tratamento muito diferentes de uma pessoa para outra.
Se o código gerou dúvida ou preocupação, a melhor conduta é conversar com o médico que o registrou. Você também tem direito ao sigilo: o diagnóstico só deve aparecer no atestado nas situações previstas pelo Conselho Federal de Medicina, explicadas em CID no atestado.
Posso usar a tabela para chegar a um diagnóstico?
Não. A tabela organiza os códigos, mas o diagnóstico em saúde mental depende de entrevista clínica, história de vida, exclusão de outras causas e, em alguns casos, acompanhamento ao longo do tempo. Muitos quadros têm sintomas parecidos e podem coexistir, como TDAH com ansiedade ou depressão com TDPM.
Vale procurar avaliação quando os sintomas atrapalham o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou o cuidado consigo e com a família. Se houver sofrimento intenso, pensamentos de se machucar ou qualquer risco para você ou para um bebê, procure o pronto-socorro mais próximo imediatamente, sem esperar consulta agendada.
Onde saber mais sobre cada diagnóstico
- TDAH na mulher
- TOC na mulher
- Autismo na mulher
- TPM e TDPM
- Depressão pós-parto
- Ansiedade na mulher
- Transtorno de pânico
- Depressão na mulher
Para uma avaliação cuidadosa, conheça o atendimento individualizado, presencial ou por telemedicina.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre CID-10 e CID-11?
São duas versões da Classificação Internacional de Doenças da OMS. A CID-11 é a revisão mais recente, com códigos alfanuméricos novos e diagnósticos reorganizados segundo o conhecimento clínico atual. A CID-10 ainda é a versão usada nos sistemas brasileiros.
Quando a CID-11 começa a valer no Brasil?
O Ministério da Saúde prevê o início do uso pleno da CID-11 em janeiro de 2027, com transição gradual nos sistemas de informação. Até lá, a CID-10 continua sendo a referência nos documentos brasileiros.
O médico é obrigado a colocar o CID no atestado?
Não. Pela Resolução CFM nº 2.381/2024, o diagnóstico só entra no atestado por justa causa, por dever legal ou a pedido da paciente. Quando o pedido é da paciente, a concordância precisa constar por escrito no próprio atestado.
TDPM tem CID?
Na CID-11, sim: GA34.41. Na CID-10 usada no Brasil, não há código específico, e costuma-se usar N94.3, síndrome de tensão pré-menstrual.
Onde consultar os códigos oficiais?
A CID-10 em português está disponível no site do DATASUS, do Ministério da Saúde. A CID-11 pode ser consultada no navegador oficial da OMS, que tem versão em português.
Sobre o autor
Dr. Yghor de Morais Andrade
Médico Psiquiatra com ênfase em saúde mental da mulher.
CRM-MG 46.186 · RQE 54.873.
Atendimento presencial em Uberlândia/Ituiutaba-MG e por telemedicina para todo o Brasil.
Última atualização: outubro de 2026.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde. CID-11 — navegador oficial (versão em português): icd.who.int
- Ministério da Saúde / DATASUS. CID-10 — Classificação Estatística Internacional de Doenças: www2.datasus.gov.br
- Ministério da Saúde. 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças será implementada no Brasil até 2027 (jan. 2025): www.gov.br
- Panorama da implementação da CID-11 no Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2025;49:e55: www.scielosp.org
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.381/2024: sistemas.cfm.org.br
